terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Uma retomada geral

·         Pré-linguística
-        Gregos (V a.C.)
-        Gramática Universal (VXIII)
-        Gramática Comparada (meados séc. XIX)
-        Neogramáticos (final séc. XIX)
Diz-se movimentos “pré-linguísticos” porque até  momento seus estudos não davam conta de explicar, ou melhor dizendo, pensar a linguagem como se desejava.

·         Linguística – séc. XX – Saussure – CLG
É o momento em que se instaura pela 1ªez um objeto de estudo da ordem do linguístico – a língua.
Saussure tenta explicar como as línguas se organizam, como funcionam, afirmando que elas se dão de um nível mais próximo da realidade a um mais abstrato.
Saussure, ao escolher/definir tal objeto teórico, az algumas “opções”, trazendo portanto:
-        exclusão do sujeito > PRAGMÁTICA
-        exclusão da história > FILOLOGIA
-        exclusão do objeto/referente > SEMÂNTICA REFERENCIAL (estuda a relação das palavras com as coisas do mundo)

>As escolas;

Estes domínios são pensados a partir de alguns movimentos:
-Estruturalista/gerativista > Sem. Referencial/ Sintaxe
-Materialista > Filologia
-Funcionalista > Pragmática

Falando sobre o vídeo: Predisposição biológica e criação cultural

  Existe uma área do cérebro humano responsável pela linguagem, podendo ocorrer nesta área algumas lesões capazes de prejudicar esta capacidade – as afasias.
  A metáfora da orquestra: a linguagem é fruto de todo um sistema funcionando junto, como uma orquestra; quando uma corda de um instrumento se rompe, por exemplo, causa um efeito no todo.
  Há alguns critérios que definem/separam a predisposição biológica da criação cultural, como as exceções dentro da espécie, a predisposição hereditária. Tem-se a escrita como um ótimo exemplo de criação cultural.

·         A capacidade de linguagem
A predisposição biológica da linguagem é tão forte que não é impedida mesmo por casos de deficiências – como a surdez ou deficiências mentais.

·         A faculdade da linguagem
O gerativismo acredita que a linguagem é algo inato do ser humano.

·         A propriedade da infinitude discreta
Permite que com um número finito de elementos/regras possamos produzir um número infinito de sentenças que nos possibilita expressar-se. Este trata-se de um forte argumento para afirmar que o ser humano é o único a possuir a capacidade biológica da linguagem.

O Gerativismo Chomskyano

O principal debate suscitado na ciência linguística foi protagonizado pelo linguista norte americano Noam Chomsky nos anos 50 do século passado. Em seu livro “Syntactic Structures”, o estudioso, apoiado no racionalismo clássico (cartesianismo) e na tradição lógica, em seu programa de pesquisa critica veemente os seguidores de Leonard Bloomfield por seu modo estruturalista de analisar a linguagem. Para alguns filósofos da Linguística, Chomsky teria promovido com seu programa de pesquisa uma verdadeira revolução científica, instaurando um novo paradigma científico – o Gerativismo.
Para Chomsky, os falantes possuem um saber inato sobre sua própria língua que os habilita  distinguir uma frase gramatical de outra agramatical, ou seja, temos um “saber sobre frases” e não um “saber frases”; reconhecemos quando uma sentença não é admissível na língua. Exemplificando:
           
“Os meninos são levados” (gramatical)
“Levados são os meninos” (agramatical)

De acordo com os gerativistas, esse pressuposto é sustentado por algumas evidencias como a rapidez no aprendizado da linguagem, a criatividade na criança para criar novas palavras/enunciados a partir de outros muito rudimentares, os universais linguísticos, a capacidade da criança em reconhecer quando uma sentença é ou não admissível na língua, entre outros. Além disso, para Chomsky, a linguagem humana baseia-se em uma propriedade elementar chamada Propriedade da infinitude discreta, que permite que com um número finito de elementos/regras possamos produzir uma infinitude de sentenças pelas quais é possível nos expressar. Esta propriedade é um forte argumento para dizer que o ser humano é o único a ter a capacidade biológica da linguagem.
Quanto à ruptura com o estruturalismo, há um pensamento muito relativo, chegando alguns estudiosos até mesmo a afirmar que Chomsky segue – e bem de perto – o estruturalismo, enquanto há aqueles que afirmam tanto uma ruptura parcial quanto uma total para com este.

O Estruturalismo

 Dominou quase todas as ciências humanas, não ficando restrito à Linguística e tentando explicar, praticamente, o homem.
 Em Linguística, possui diversas vertentes e diferenças, mesmo que utilizando o mesmo nome, pois cada “Estruturalismo” apresenta um objeto de estudo distinto.
 Preocupação elementar:
-        Europeu: a língua (langue)
-        Americano: a parole (“fala”)
 Vamos agora observar as diferenças entre cada um destes:

Estruturalismo Europeu:
-        Maior referência = Saussure (Curso de Linguística Geral);
-        Frequenta línguas da antiguidade (grego, latim, …);
-        Possui dois princípios primordiais: estrutura e autonomia:
> Princípio da Estrutura (o sistema): as unidades não são independentes do sistema, ou seja, deve-se pensar os elementos em sua relação com o sistema (o jogo de xadrez no CLG); o princípio da interdependência.
> Princípio da Autonomia (do sistema): a organização de uma língua se dá internamente, ou seja, pela relação das unidades linguísticas, não havendo relação com o externo ou com fatores externos.
-        Método de estudo dedutivo: hipotético; do geral para o particular;
-        Em síntese: as línguas são estruturadas; os elementos que a compõem só podem ser propriamente caracterizados a partir da organização global em que se integram.

Estruturalismo Americano:
-        Diferente do Europeu, o Estruturalismo Americano descende das línguas ágrafas dos índios norte americanos;
-        Maior referência: Bloomfield;
-        Bloomfield dizia que o estudo da língua só se dava por meio do estudo da fala das pessoas;
-        Há dois princípios em que se baseia o Estruturalismo Bloomfieldiano:
  > Princípio do indivíduo: destaca a importância do corpus na possibilidade de estudar-se a língua.
  > Princípio da substância: reforça que os fenômenos devem ser materialmente analisáveis para serem levados em conta.
-        Método de estudo indutivo: procedimentos de descoberta.
-        Em síntese: os estruturalistas, mais especificamente os distribucionalistas norte americanos, partindo da psicologia behaviorista, acreditavam que o estudo de uma língua deveria ser feito a partir de uma reunião de um conjunto de corpus tão variado quanto possível de frases efetivamente produzidas por falantes dessa língua, em determinada época, com o objetivo de descrever as regularidades existentes nessas falas.

É possível observar que estes estruturalismos estudados no texto de José Borges Neto, diferenciam-se não apenas quanto ao objeto observado, mas também nas definições de langue e parole, sendo a langue, para os Americanos, uma derivação da parole, o que contraria o pensamento saussuriano.

REFERÊNCIA:
BORGES NETO, J. Reflexões preliminares sobre o estruturalismo em linguística. IN: Ensaios de filosofia da linguística.

Componentes da descrição linguística: simplificando alguns conceitos

·         Processo de recção: quando uma palavra se subordina à outra;

·         Glossemática: o estudo que olha apenas para a língua;

·         A Geolinguística:

      > O que é?
É o estudo das variações espaciais da linguagem.

      >Os principais conceitos são:

-        Idioleto: modo de falar próprio de um indivíduo.
-        Dialeto ou Patoá: modo de falar regional que apresenta variações ao comparado com a língua oficial de certo país. A Dialetologia é quem estuda esta forma linguística, criada pelos neogramáticos.
-        Língua Nacional: é a língua oficial de um Estado, eleita, na maioria das vezes, por ser aquela falada por maior parte da população (teoricamente, é claro!); é aquela que é ensinada nas escolas e usada para a comunicação pessoa/Estado e vice-versa.
-        Jargão: são as modificações que um grupo introduz na língua propositalmente. Um exemplo pode ser a gíria.
-        Misturas de línguas: são ocasionadas pela convivência de diferentes formas linguísticas, resultando numa mistura destas mesmas, o que permite e possibilita uma comunicação direta entre suas comunidades falantes. Esta “língua resultante” pode ser denominada:
       >Sabir: sem estrutura gramatical, sendo usada “socialmente” (para comércio, lazer,...), limitadamente. Um exemplo pode ser o famoso “Portunhol”.
       >Pidgin: é a criação de um língua gramaticalmente coerente e que, além disso, responde às necessidades sociais de seus falantes como outra língua qualquer.
       >Crioulo: é quando essa língua “mista” se torna a mais usada, a principal uma comunidade.

-        Multilinguismo: é a dominação de várias línguas, como em comunidades consideradas bi, trilíngues,...
 Problema para o linguista: saber o quanto este fenômeno influencia no conhecimento de cada uma das línguas em questão!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As grandes escolas da Linguística: tentando compreende-las, do ponto de vista epistemológico

A fim de compreender um pouco mais sobre as quatro grandes escolas linguísticas, que tal uma volta ao passado?!
Pois bem, a 1ª grande escola que encontraremos (séc. XVII) é a das Gramáticas Gerais, iniciada por Port Royal. Antes disso, no Ocidente a partir da descoberta do sânscrito (língua indiana da qual derivaram a maior parte das línguas ocidentais modernas e que, inclusive, atualmente é uma das 23 línguas "oficiais" do país) haviam apenas especulações filosóficas e literárias sobre a linguagem, sendo esta vista como ferramenta, mas não como objeto de estudo. Pensava-se muito no poder místico da linguagem, em sua relação com todas as coisas do mundo. A partir de Port Royal inicia-se uma tentativa de sistematização dos estudos da linguagem, considerando a idéia de categorizações desta; este estudioso acreditava que o ser humano se expressava por meio de frases - de um lado quem fala (sujeito) e de outro o que se fala (predicado, este ora de ação ora de qualificação - verbal, nominal,...) - e que tudo aquilo que fugia desta ordem era desconsiderado linguagem; além disso, para que estas frases fossem consideradas linguagem, deveriam expressar a realidade, ser verdadeiras; acrediava também que a linguagem seguia uma lógica matemática, pela qual suas mudaças e transformações se davam pelo seu uso: algo negativo para época, já que a partir disto a linguagem deveria sempre seguir esta ordem lógica, numa ilusória comunicação sem interferências, erros.
Mas, como tende o incessante universo dos estudos científicos, é claro que grande parte dos sucessores de Port Royal vieram para contestar seus feitos até então. Europa, século XIX, surge a Linguística Histórica, dividindo-se em comparativistas e neogramáticos.
Tem-se a Gramática Comparada: uma analogia entre o Sânscrito e a maioria das línguas européias (antigas e modernas; não se trata apenas de uma questão de semelhanças, mas sim de parentesco (hipótese de um tronco comum para estas línguas - o indo-europeu). Estabelece correspondências entre as línguas, independente da distância no tempo, procurando que o elemento X de uma época ocupa o lugar do elemento X' da outra, comparação esta antes de tudo a partir de seus elementos gramaticais.
  • A tese do declínio das línguas: a língua não era um meio, mas um fim: o espírito humano moldáva-se como uma obra de arte, em que procurava representar-se a si mesmo; as línguas tiveram de assumir 3 formas principais, que aparecem numa classificação baseada em sua estrutura interna:
-em 1° lugar foram isolantes: inanalisáveis, impassíveis de distinção entre seus elementos lexicais e gramaticais;
-depois, algumas se tornarm aglutinantes: comportavam palavras lexicais e gramaticais, mas sem regras precisas para a fomação das palavras;
-por último, formaram-se as línguas flexionais:  com regras precisas comandando a organização interna das palavras. Porém, desde que o homem a "impôs" como instrumento da vida social, esta não mais cessou de quebrar/destruir esta ordem interna. Uma das explicações para a mudança/variação das línguas era exatamente esta constante mudança de estágio.
Final do séc. XIX: os neogramáticos: as mudanças pelas quais as línguas passam não significam um declínio das mesmas, pois não ocorrem por fatos externos, mas sim pela sua organização interna, não mais por seu uso; para eles, a Linguística Hitórica deve ser explicada; é a partir das próprias falas das pessoas que deve-se, pela observação, explicá-las cientificamente, empiricamente. Deve-se estabelecer um recorte temporal para os estudos. Não há outra explicação para as mudanças da língua se não a histórica, tendo as causas das memas dando-se por duas ordens:
 - articulatória: quando ocorre uma modificação em um estado, nenhuma palavra pode escapar desta modificação;
 - analógica: os locutores tendem a agrupar as palavras e frases em classes, cujos elementos se asemelham pelo som e sentido, criando palavras novas capazes de enriquecer tais classes - uma palavra se tornava outra pela relação com outra.
Século XX, finalmente, temos o Saussurianismo: figura de Ferdinand de Saussure, considerado o pai da Linguística. Obra inaugural desta escola: Curso de Linguística Geral - CLG. Muito diferente das escolas anteriores, totalmente inovadora; Saussure propõe pensar a língua como sistema, preocupando-se com os deslocamentos sofridos com o uso dos elementos (o famoso exemplo do jogo de xadrez!), ou seja, seu funcionamento, e não, como até então, com a função dos elementos em si. Além disso, propõe também uma ciência que englobe as formas visuais de linguagem, chamada Semiologia e a Linguística, estudando a linguagem verbal.
Com isso, finalizo por hora mais um post.
Que suas mentes viagem à vntade no meu mundo linguístico!
Obrigada pela visita e boa noite.
BjoOs até a próxima

Epistemologia da Linguística

Ora, vejam!A disciplina que me fez criar este blog e até agora nem um postizinho sobre a fulana.Que desleicho!!!
Pois bem, me desculpo!Deixe-me corrigir já esta falha.
A epistemologia da Linguística expõem as diversas teorias linguísticas existentes, explicando suas abordagens e aplicações. Há três métodos utilizados para tal:
 - Indutivo: partindo de uma premissa menor para uma maior, é a generalização a partir de certo número de casos em que algo é verdadeiro, deduzindo então que o mesmo ocorro com o todo.
 - Dedutivo: partindo de uma premissa maior para uma menor,é muito utilizado para aplicar regras gerais a casos particulares, apesar de não ir além daquilo que já se sabe.
 - Abdutivo: é a adoção probatória da hipótese; as idéias da ciência vêm através dela. Consiste em estudar fatos e criar uma teoria para tentar explicá-los.
Feito!
Agora que me redimi, vamos ao próximo post!
=]